O sol da Cultura angolana "Um susto de raios ao folclore"

Autor: Sound Place | Data 14.06.2018

Mpanda Mbuta Kene

Por: Mpanda Mbuta Kene

Desde sempre a cultura angolana teve sua notoriedade como parte de uma ala contribuidora das etnias que se constituíram no país há séculos – principalmente os Ovimbundu, Ambundu, Bakongo, Côkwe e Ovambo.

Hoje temos em vista o impacto neutro da cultura angolana, é como renascer dos escombros onde todos fogem a responsabilidade patriótica, o que se nota nos tempos actuais é o desprezo dessa matriz cultural que deu origem aos vários estilos e outras identidades culturais sonantes no nosso país.

Geralmente quando retratamos sobre Folclore em Angola, não nos esquecemos da África no seu todo, incorporamos a Língua, Dança, Arte, Literatura e o Cinema que são partes de nossa cultura.

A pergunta que nunca quer se calar é

Como foi possível em poucas décadas nos esquecermos do impacto folclore na cultura angolana?

E para darmos resposta a essa questão é preciso que saibamos refletir um pouco mais sobre os pontos que marcam nossa cultura.

A Música e a Dança

Temos a música como uma das mais importantes manifestações da cultura angolana.  Os ritmos folclóricos em Angola permitiram o surgimento do estilo Kuduro, o Adoço (mistura de Kuduro e House Dance), merengue, Kazukuta, Kilapanda e Semba. A Rebita é um estilo que usa a base construtura do acordeão e a harmónica. Relatos dizem que o Fado originou de Angola.

O Semba é o predecessor da kizomba esses estilos não perderam suas origens, afirmativamente a Música Folclórica hoje é vista como uma ilusão, as pessoas preferem desprezar esta matriz tudo porque acharam não ser necessário prestarmos atenção a isso, os jovens na verdade eles não estão interessados em ouvir essas músicas alegando ser estilo do passado e dos velhos, ou então a VIBER DOS ESCRAVOS, todos queremos sentir a pedalada das músicas europeias (que são partes do folclore europeu) cujo desconhecemos sua origem.

Pesa embora esses novos estilos entrarem com força no nosso mosaico cultural, todos seguem o raio de sol do folclore angolano.

A dança angolana se espelha em diversos géneros, significados, formas e contextos, equilibrando a vertente recreativa com a sua condição expressiva. Numa viagem boa e memorável nas terras do norte, leste e sul do país é possível sentir a dança como um dos suplementos da música folclórica.

Todos os novos estilos de música que entraram em Angola com todas as forças de se manterem enraizadas no solo cultural bebem da Dança Folclórica, é possível sentir a Tchihanda, Kintuene, Kabetula e tantos outros estilos em cada coreografia.

Então, porquê esses artistas angolanos não assumem que a matriz folclore é o sol de seus sucessos? Porquê ignoram a luta no resgate dessas identidades? Será que não sentem vergonha ao verem nossos irmãos americanos, europeus e asiáticos a valorizarem mais nossa cultura do que nós?

Julgo que isso é um susto ao folclore angolano sem sombra de dúvidas.

Língua, Arte, Cinema, Literatura

Vamos fazer uma viagem no actual momento em que estamos e que façamos uma estatística sobre quantos falantes de línguas nacionais em Angola temos, a febre do Afro House em Angola deveria ser uma chapada aos angolanos que aspiram falar Zulu ou Africanse ao invés do Kikongo, Umbundo, Kimbundo, Kôkwe nas suas músicas, é vergonhoso tentar cantar em língua alheia enquanto eles só escutam suas músicas em português. Um aplauso aos nossos irmãos congolenses por implantarem o Lingala na cultura angola e obrigar os manos do Zaire e Uíge a misturarem o Kikongo como forma de expressão cultural e base ao nosso estilo folclore.

Relativamente a Arte precisamos continuar a estimular os artistas a explorarem nossas realidades culturais muito ainda se precisa fazer para dar impacto ao baú das nossas identidades.

Quando tocamos no assunto da literatura angolana é de tirar os chapéus em certos apectos, fora a música, dança e as artes que têm levado o bom nome de Angola pelo mundo a fora, ainda não podemos afirmar que está bom, nos dias de hoje poucos escritores falam da matriz real da nossa cultura nos seus contos, poemas, crônicas, artigos e ensaios, novelas, mas esse aspeto não há muita reflexão que se falar.

O Cinema angolano

Não vou ser cético, mas não está a representar ainda nada de verdade, estamos a tirar muito de Hollywood, os cineastas angolanos da nova geração estão preocupados com efeitos visuais e suas lindas montagens e apresentam pouca preocupação nas suas histórias, é preciso imitar a África do Sul se for o caso de estimular amor ao nacional, uma série de todos os tempos é Chaka Zulu que foi feito com cabeça e tronco e membros.

Aplausos endereçamos a DaBanda pelo filme que retrata a vida de Nginga Mbande, pesa embora nossos actores não falarem em Kimbundo, entendemos o momento.   

Sendo assim a responsabilidade de tudo isso recai ao Ministério da Cultura e da sociedade em geral que tem sido pouco participativa no resgate do sol folclore angolano.

Lembrando que a expressão Folclore significa estudo das tradições populares em variáveis manifestações (música, dança, canções, provérbios, anexins e lendas).

O que faremos para acabar com o susto?

Reflitamos!   

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